Zero-click no Google: só 3% das buscas abrem com link azul [Estudo]

13/07/2026

O zero-click no Google deixou de ser tendência para virar regra no Brasil. Um novo levantamento da SEONextbr, em parceria com a agência Oxigenweb, mediu a posição real do primeiro resultado orgânico em 500 buscas brasileiras e encontrou um cenário que explica a queda de tráfego que tantos sites vêm sentindo: apenas 3% das buscas abrem a página com um link azul.

Nos outros 97%, o usuário encontra primeiro um AI Overview, um People Also Ask, um bloco de vídeos ou outro recurso do próprio Google. O primeiro resultado orgânico é, em média, o 2,74º elemento da página. E, aplicando curvas de CTR de mercado sobre esse deslocamento, a estimativa é que o primeiro colocado perca até 56% dos cliques que teria se abrisse a página.

Neste artigo, você confere a metodologia completa, os dados por setor e o que esse cenário de zero-click no Google significa para a estratégia de visibilidade da sua marca.

Os 4 achados principais do estudo

  1. Só 3% das SERPs abrem com um resultado orgânico. Nas 500 buscas analisadas, apenas 17 mostravam o link azul como primeiro elemento da página.
  2. O primeiro link azul é, em média, o 2,74º elemento (2,83 quando ponderamos pelo volume de buscas). Em 13% das buscas ele é o 4º elemento ou pior.
  3. O AI Overview é quem mais corta a frente: aparece antes do primeiro orgânico em 87% das buscas. O People Also Ask vem em seguida, em 58%.
  4. A perda estimada de cliques do 1º colocado é de 56%. O CTR estimado cai de 27,6% (benchmark de quem abre a página) para 12% na posição visual real.

Metodologia: como medimos o zero-click no Google

O levantamento foi conduzido em julho de 2026 pelas equipes da SEONextbr e da Oxigenweb, com coleta automatizada de páginas de resultados do Google Brasil (google.com.br), em português, em desktop.

  • Amostra: 500 palavras-chave, 100 por setor, nos segmentos de Saúde, Finanças, E-commerce/Varejo, Educação e Turismo. A mesma amostra dos nossos estudos anteriores, o que permite comparar os resultados da série.
  • Métrica principal: a posição absoluta do primeiro resultado orgânico entre todos os elementos da página (AI Overview, People Also Ask, featured snippet, vídeos, imagens e demais recursos).
  • Estimativa de CTR: aplicamos uma curva pública de CTR por posição (benchmark de mercado, com cerca de 27,6% para a primeira vaga visual) sobre a posição real do primeiro orgânico. É uma estimativa baseada em benchmark, não uma medição direta de cliques, e o texto trata o número sempre como estimativa.
  • Estimativa conservadora: anúncios pagos não entraram na contagem. Ou seja, na prática, a posição do primeiro link azul tende a ser ainda pior do que a medida.

O que aparece antes do primeiro link azul

Estes são os elementos do Google que cortam a frente do primeiro resultado orgânico, e a frequência com que isso acontece:

Elemento da SERP Aparece antes do 1º orgânico em
AI Overview 87% das buscas
People Also Ask 58% das buscas
Bloco de vídeos 14% das buscas
Featured snippet 6% das buscas
Principais pontos (viagem) 5% das buscas

O dado conversa diretamente com o nosso primeiro estudo da série, que mostrou AI Overviews em 87% das buscas brasileiras: a resposta de IA não só está presente em quase toda busca, como ocupa o primeiro lugar visual da página quase sempre que aparece.

A posição real do primeiro resultado orgânico

Distribuição da posição absoluta do primeiro link azul nas 500 buscas:

elementos posicaolink

Posição na página % das buscas
1º elemento (página “limpa”) 3%
2º elemento 34%
3º elemento 49%
4º elemento 13%
5º elemento 1%

Metade das buscas brasileiras já entrega o primeiro resultado orgânico como terceiro elemento da página. Para o usuário, isso significa rolar a tela passando por uma resposta de IA e um bloco de perguntas antes de encontrar o primeiro site.

Quanto isso custa em cliques: a estimativa por setor

Aplicando a curva de CTR por posição sobre a posição visual real, ponderada pelo volume de busca de cada termo, chegamos à perda estimada de cliques do primeiro colocado orgânico em cada setor:

queda ctr

Setor Posição média do 1º link azul Perda estimada de cliques
Saúde 2,92 60%
Finanças 2,95 57%
E-commerce/Varejo 2,59 57%
Educação 2,70 52%
Turismo 2,52 49%
Geral (ponderado) 2,83 56%

Saúde e finanças, os setores YMYL onde o Google mais intervém com respostas próprias, são também os que mais perdem cliques. É o mesmo padrão que encontramos no estudo sobre ranking e citação em IA: quanto mais sensível o tema, mais o Google assume o papel de responder, e menos espaço sobra para o clique tradicional.

O que o zero-click no Google muda na estratégia

Os dados apontam para três movimentos práticos:

  1. Pare de medir sucesso só por posição. Um relatório que diz “estamos em 1º” esconde que esse 1º lugar pode ser o terceiro elemento da página, com metade dos cliques de antes. Posição visual e citação em IA precisam entrar no dashboard, um tema que aprofundamos no nosso manifesto SEO + GEO.
  2. Dispute o andar de cima da página. Se AI Overview, People Also Ask e vídeos cortam a frente do orgânico, a estratégia é ocupar esses espaços: ser fonte citada pela IA (o território do GEO), responder às perguntas do PAA e ter presença em vídeo.
  3. Valorize a visibilidade sem clique. Quando a sua marca é citada na resposta de IA, ela ganha autoridade mesmo sem visita. Medir e ampliar essas citações vira parte do trabalho, e é exatamente o que o Brand Monitor do SEONextbr acompanha, junto com as ferramentas de GEO da plataforma.

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Perguntas frequentes sobre zero-click no Google

O que é zero-click no Google?

Zero-click no Google é a busca em que o usuário obtém a resposta sem clicar em nenhum site, porque o próprio Google responde na página de resultados, por meio de AI Overviews, featured snippets, People Also Ask e outros recursos. No Brasil, 97% das buscas analisadas já exibem pelo menos um desses elementos antes do primeiro resultado orgânico.

Quanto tráfego o zero-click tira dos sites?

Segundo a estimativa do levantamento SEONextbr e Oxigenweb, o primeiro colocado orgânico perde cerca de 56% dos cliques que teria se abrisse a página, já que seu CTR estimado cai de 27,6% para 12% na posição visual real. O número é uma estimativa baseada em curvas públicas de CTR.

Qual elemento mais empurra o resultado orgânico para baixo?

O AI Overview, que aparece antes do primeiro orgânico em 87% das buscas analisadas, seguido do People Also Ask (58%) e do bloco de vídeos (14%).

Qual setor mais sofre com o zero-click no Google?

Saúde, com perda estimada de 60% dos cliques do primeiro colocado, seguida de finanças e e-commerce (57%). Turismo é o setor menos afetado, com 49%.

Como uma marca se protege da perda de cliques?

Disputando os espaços que cortam a frente do orgânico: sendo citada como fonte pelos AI Overviews (estratégia de GEO), respondendo às perguntas do People Also Ask e mantendo presença em vídeo, além de monitorar continuamente as citações da marca nas respostas de IA.

Sobre o estudo

Levantamento produzido em parceria pelas equipes da SEONextbr, plataforma brasileira de SEO e GEO, e da Oxigenweb, agência de tecnologia e marketing, com dados coletados em julho de 2026. Este é o terceiro estudo da série sobre a busca com IA no Brasil. A base completa está disponível para jornalistas e pesquisadores mediante solicitação. Ao citar os dados, referencie como “levantamento SEONextbr e Oxigenweb” com link para este artigo.

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Mauricio Shinmi

Especialista em SEO desde 2007, empresário e investidor apaixonado por tecnologia e inovação. Foi reconhecido entre os 50 maiores especialistas de Wordpress do Brasil.