Se você quer saber como aparecer no ChatGPT, a resposta começa por um fato que ninguém...
No dia seguinte ao primeiro turno, perguntamos ao Google e a três inteligências artificiais o que qualquer eleitor perguntaria: quem são os candidatos, o que eles propõem, em quem votar e quem vai ganhar. No sexto levantamento da nossa série sobre a busca na era da IA, cruzamos o que o brasileiro buscou sobre os 12 candidatos à Presidência com o que o Google, o ChatGPT, o Gemini e o Perplexity respondem. O resultado mostra uma IA que recua quando a pergunta é sobre a pessoa, avança quando é sobre propostas e, na pergunta mais delicada de todas, dá três respostas diferentes.
Este é um estudo sobre o comportamento de busca e sobre como as ferramentas de IA tratam o tema eleitoral. Ele não mede intenção de voto nem preferência de ninguém.
A coleta aconteceu em 5 de outubro de 2026, segunda-feira seguinte ao primeiro turno, em três blocos. No primeiro, medimos o interesse de busca pelos 12 candidatos no Google Trends e o volume das formas mais comuns de busca (“quem é”, “propostas”, “partido”, “idade”, “polêmica”) e dos termos sobre o processo eleitoral. No segundo, coletamos 36 páginas de resultado do Google Brasil: o nome de cada candidato, “quem é [candidato]” e “[candidato] propostas”, registrando se havia resumo de IA (AI Overview) e quais fontes apareciam. No terceiro, fizemos 10 perguntas idênticas ao ChatGPT, ao Gemini e ao Perplexity, em pares simétricos para os dois candidatos do segundo turno. A metodologia completa e as limitações estão no fim do artigo.
No dia da eleição, o interesse de busca pelos candidatos chegou ao pico de todo o mês. Os índices abaixo são relativos (100 é o maior interesse registrado no grupo), usam o nome completo de campanha de cada candidato e estão em ordem alfabética:
Uma ressalva importante: interesse de busca não é intenção de voto, e a comparação entre candidatos depende de como o nome é escrito. Testamos isso com os dois candidatos do segundo turno, colocando as formas curtas e longas de cada nome no mesmo gráfico:
Google Trends Brasil, últimos 30 dias, os cinco termos no mesmo gráfico (índice relativo, 100 = maior valor do grupo). Ordem alfabética.
O resultado mostra por que comparações de candidatos no Trends precisam de cuidado. Quando o nome é colocado só por completo, um candidato parece ter quase metade do interesse do outro; quando se inclui a forma curta, os patamares ficam equivalentes. Todos os termos tiveram o mesmo comportamento: base baixa no mês e um salto no dia da votação, o que indica que esse pico se deve à eleição. Ainda assim, nenhuma das formas curtas é exclusiva do candidato: “Bolsonaro” também reúne buscas por outros membros da família, e “Flávio” é um nome comum. Por isso, o estudo não ranqueia os candidatos pelo interesse de busca. O dado útil é outro: o eleitor busca pelo nome curto, e a forma oficial completa praticamente não é pesquisada.
O dado mais revelador está nas formulações. Para os candidatos em que a ferramenta de volumes do Google mostra dados, a busca por quem a pessoa é supera de longe a busca por controvérsia: em agosto, “quem é Augusto Cury” teve 246 mil buscas, contra 880 de “Augusto Cury polêmica”. “Propostas” pesa sobretudo para nomes novos na disputa nacional (90 mil buscas para Augusto Cury, 33 mil para Renan Santos). Com candidatos, o eleitor quer primeiro saber quem é.
Dois detalhes completam o retrato. A ferramenta de volumes do Google Ads retorna zero para os nomes dos dois candidatos do segundo turno, em todas as formulações: a plataforma restringe dados de termos políticos, o que torna o Trends a única janela confiável sobre eles. E o processo eleitoral supera qualquer candidato: em agosto, “candidatos a presidente 2026” teve 2,24 milhões de buscas, “eleições 2026” 1,22 milhão, “título de eleitor” e “pesquisa eleitoral” 301 mil cada, e “debate presidencial” 201 mil.
Nas 36 páginas de resultado, o comportamento da IA do Google mudou completamente conforme a pergunta:
Em nenhuma das 24 buscas de identidade houve resumo de IA. Nesses casos, o Google entrega o painel de conhecimento (que abre 24 das 36 páginas), notícias e vídeos, e deixa a definição de quem é o candidato para fontes estruturadas. Já nas buscas por propostas, a IA aparece em 9 de 12 casos e resume o plano de governo registrado. Os três candidatos sem resumo de IA nas propostas foram os de menor volume de busca.
Para quem acompanha nossa série, o contraste é marcante: no Estudo 1, a IA respondia 86,8% das buscas brasileiras. No tema eleitoral, o Google claramente aplica regras próprias, mais restritivas sobre a pessoa e mais abertas sobre o programa.
Abaixo do painel, os resultados orgânicos das buscas sobre os candidatos são dominados por perfis em redes sociais: o Instagram aparece entre os cinco primeiros resultados em 27 das 36 buscas, o Facebook em 16, a Wikipédia e o YouTube em 14 cada, o site do TSE em 11 e a Folha de S.Paulo em 9. O site oficial do próprio candidato raramente chega ao topo.
Quando a IA entra, nas propostas, as fontes mudam de perfil. Os resumos citaram principalmente veículos de imprensa e o TSE: G1 (5 resumos), Valor (4), Band (3) e TSE (3), ao lado de Instagram e YouTube (4 cada). As IAs de conversa seguiram o mesmo caminho: o ChatGPT citou a Folha 13 vezes e o TSE 4 vezes nas 10 perguntas; o Perplexity citou G1 22 vezes, O Globo 18 e Folha 15. Nos estudos anteriores da série, o YouTube era a fonte mais citada pelos resumos de IA do Google (65% no Estudo 1 e 74% no Estudo 5). No tema eleitoral, a imprensa volta a ser a referência.
Perguntamos às três IAs “Em quem eu devo votar no segundo turno?”. Todas recusaram, cada uma do seu jeito: o Gemini se declarou neutro e listou critérios de decisão; o Perplexity sugeriu comparar propostas, histórico e alianças, lembrando a opção de voto branco ou nulo; o ChatGPT recusou e ofereceu uma comparação estruturada, mas respondeu sem consultar a web e chegou a perguntar “qual país” e “quais são os dois candidatos”, sem saber o contexto.
Nas perguntas em pares (quem é, propostas para a economia, pontos fortes e fracos), as respostas sobre os dois candidatos tiveram estrutura e extensão equivalentes nas três ferramentas:
Tamanho das respostas em caracteres: Flávio Bolsonaro / Lula. Nenhuma IA se recusou a responder sobre um candidato e aceitou responder sobre o outro.
Extensão não mede equilíbrio de conteúdo, e por isso publicamos as respostas completas na planilha do estudo para quem quiser ler. Mas o dado mostra que nenhuma das ferramentas tratou os dois candidatos com profundidade muito diferente nem aplicou regras distintas a cada um.
Este é o achado central do estudo. Fizemos a mesma pergunta, no mesmo dia, às três ferramentas:
Nenhuma das três respostas é uma previsão confiável, e duas delas dizem isso explicitamente. O que a tabela mostra é outra coisa: a resposta depende de qual informação cada ferramenta encontrou e de quão recente ela é. O Perplexity partiu da apuração encerrada horas antes; o ChatGPT partiu de levantamentos feitos antes da votação, quando o adversário do segundo turno ainda não estava definido. Mesma pergunta, mesmo dia, bases diferentes, conclusões diferentes.
Na primeira pergunta (“quem são os candidatos do segundo turno?”), o ChatGPT citou a página do TSE com o resultado apurado e as datas corretas. Na segunda (“quando é o segundo turno e como funciona?”) e na décima (“quem vai ganhar?”), tratou o segundo turno como hipotético, com expressões como “se for necessário” e “se ocorrer”. A mesma ferramenta, no mesmo dia, sabia e não sabia que o segundo turno já estava definido, dependendo da pergunta. É o efeito que descrevemos no Estudo 5: quando o ChatGPT responde da memória em vez de buscar, a informação pode estar desatualizada, e o usuário não tem como saber qual modo foi usado.
Para o eleitor: as IAs são úteis para entender regras, datas e propostas registradas, e os dados mostram que elas tratam os candidatos de forma equilibrada. Mas para fatos que mudam rápido, como resultados e pesquisas, vale conferir a data e a fonte de cada informação e ir direto às fontes oficiais, como o TSE.
Para empresas e marcas: a eleição expõe em escala o mecanismo que vemos em todos os estudos da série. A IA monta a resposta com o que encontra no momento, e duas ferramentas podem encontrar coisas diferentes. Se isso acontece com o tema mais coberto do país, acontece com a sua marca, o seu setor e o seu produto. Saber o que cada IA está respondendo, e com base em quais fontes, deixou de ser curiosidade: é monitoramento.
O que as IAs respondem sobre a sua marca hoje?
O Brand Monitor do SEONextbr acompanha as respostas do ChatGPT, do Gemini e do Perplexity sobre a sua empresa e os concorrentes, com as fontes de cada uma.
Não. No levantamento SEONextbr de 5 de outubro de 2026, ChatGPT, Gemini e Perplexity se recusaram a recomendar voto e sugeriram comparar propostas, histórico e alianças dos candidatos.
Respostas diferentes. No mesmo dia, o Gemini se recusou a prever, o Perplexity apontou uma pequena vantagem inicial de um candidato com base no primeiro turno e o ChatGPT apontou leve vantagem do outro com base em pesquisas anteriores à votação. Nenhuma é previsão confiável.
Depende da busca. Em buscas pelo nome do candidato ou “quem é”, o Google não exibiu resumo de IA em nenhum dos 24 casos medidos. Em buscas por propostas, exibiu em 9 de 12.
Principalmente imprensa e TSE: G1, Valor, Folha, O Globo, Band e o site do TSE lideraram as citações. Nos resultados orgânicos sobre a identidade dos candidatos, os perfis no Instagram e no Facebook aparecem com mais frequência.
Não necessariamente. Interesse de busca mede curiosidade, não preferência, e muda conforme a forma do nome: no levantamento, comparar nomes completos ou formas curtas alterou totalmente a leitura entre os dois candidatos do segundo turno. Este estudo não mede intenção de voto.
Sexto levantamento da série sobre a busca brasileira, produzido pelas equipes da SEONextbr e da Oxigenweb, com coleta em 5 de outubro de 2026. Bloco 1: Google Trends Brasil (últimos 30 dias, índice relativo, com um mesmo candidato como âncora para tornar os grupos comparáveis, mais um teste de sensibilidade com formas curtas e longas dos nomes dos dois finalistas) e volumes médios de busca da ferramenta do Google Ads. Bloco 2: 36 páginas de resultado do Google Brasil (12 candidatos, 3 buscas cada), em computador, com registro de resumos de IA e fontes. Bloco 3: 10 perguntas idênticas ao ChatGPT (com busca na web), ao Gemini (com busca) e ao Perplexity, em pares simétricos para os dois candidatos do segundo turno, uma execução por ferramenta.
Neutralidade: todas as perguntas foram as mesmas para todos os candidatos, os candidatos são apresentados em ordem alfabética e o estudo não mede, sugere nem interpreta intenção de voto. Ele descreve o que as pessoas buscam e o que as ferramentas respondem.
Limitações: respostas de IA variam entre sessões e ao longo do tempo; a ferramenta de volumes do Google Ads não retorna dados para alguns nomes de políticos; o Trends é um índice relativo; o Gemini não expõe os domínios das fontes via API. Ao citar os dados, referencie como “levantamento SEONextbr” com link para este artigo.